Precisamos conversar sobre a infraestrutura

Onde você nasceu tem mais influência sobre o seu futuro do que qualquer outro fator, e assim é por causa da infraestrutura.”

Esta é minha tradução de uma postagem de Seth Godin sobre um tema que está na agenda de nosso país: infraestrutura.

Infraestrutura, por Seth Godin

O segredo por trás de organizações bem sucedidas (e países prósperos) é infraestrutura. Não o conteúdo do que acontece, mas aquilo que permite ao conteúdo transformar-se em algo produtivo.

Aqui estão alguns elementos a considerar:

Transportes: ideias e coisas precisam ir de um lugar a outro. Tanto melhor quanto mais rápido, eficiente e seguro o meio para isto. Não são apenas estradas, mas também wifi, centros comunitários e até mesmo feiras. Transportar coisas, pessoas e ideias de um lugar a outro, com segurança e pontualidade, é essencial quando se quer construir algo.

Expectativas: quando as pessoas acordam de manhã com esperança de boas notícias,com a crença de que avançar é possível, com a mente aberta a novas ideias – estas crenças se mostram boas em si mesmas. Esperamos que seja possível viajar em segurança – e esperamos que expor uma ideia nova não nos custará o emprego.

Educação: quando estamos rodeados de pessoas hábeis, inteligentes e confiantes, vamos mais longe. Sempre que aprendemos uma nova habilidade, nossa produtividade sobe.

Civilidade: não apenas boas maneiras à mesa, mas um ambiente livre de assédio, chantagem e coerções. Ar puro, para respirar e para falar.

Infraestrutura e cultura se sobrepõem de mil maneiras.

No nível organizacional, é possível investir em um ambiente de trabalho em que as coisas funcionam, as ferramentas estão disponíveis, as reuniões não emperram o trabalho, as decisões são tomadas quando precisam ser tomadas (e não são desfeitas logo depois).

É possível criar um ambiente de trabalho onde as pessoas esperam por boas notícias de seus líderes, de seus colegas e do mercado. Onde esperamos ser ouvidos quando temos algo a dizer; onde esperamos, com trabalho sério, fazer diferença.

É possível contratar pessoas educadas (com boas notas na escola e com boas intenções) e mantê-las treinadas e atualizadas.

E é essencial para este ambiente de trabalho ser onde as normas de direito prevalecem, onde as pessoas recebem um tratamento digno e respeitoso. Em lugares assim, urgências imediatas não servem de desculpa para declarar lei marcial e abandonar valores fundamentais.

Sim, acredito que isto tudo vale também para países. Pode não ser empolgante falar sobre a construção e manutenção da infraestrutura, mas tente mudar o mundo sem ter infraestrutura e você vai ver no que dá.

Aqui está a verdade incontornável: investimentos em infraestrutura sempre compensam. Sempre. Não na maioria das vezes, mas todas as vezes. Pode ser que demorem mais do que gostaríamos, pode ser que existam alternativas melhores, mas mesmo assim, sempre que gastamos dinheiro naquelas quatro áreas, teremos uma grata surpresa.

Também vale a pena notar que, em organizações e em países, investimentos em infraestrutura são mais efetivos quando centralizados e consistentes. Agir por própria conta é uma ótima ideia, mas funciona melhor em um ambiente que encoraja este tipo de comportamento.

A maior diferença entre 2015 e 1915 não está nas ideias que tivemos ou nas pessoas ao nosso redor. Está na tecnologia, na civilidade e nas expectativas presentes na nossa infraestrutura. Onde você nasceu tem mais influência sobre o seu futuro do que qualquer outro fator, e assim é por causa da infraestrutura.

Quando investimos (e falo de muito dinheiro) naqueles quatro tipos de infraestrutura, a vida melhora. Mas é fácil acreditar que tudo sempre foi como é agora. Por isto, visitar uma organização ou um país que não tem infraestrutura serve como um poderoso lembrete para ficarmos atentos.

(Clique aqui para ler o original em inglês.)