Questionário de avaliação de riscos: precisa mesmo ouvir o auditado?

Um dos instrumentos mais comuns na avaliação de riscos é o questionário. Mas será que a participação do auditado tem tido peso nesses questionários?

A avaliação dos riscos de uma organização tem estimulado os auditores internos a adotar estratégias como entrevistas, seminários, dinâmicas de grupo e questionários.

Os questionários são sem dúvida a alternativa preferida.

Até aí, tudo bem: usar a ferramenta mais simples faz todo sentido.

O perigo mora no perfil dos entrevistados (costuma haver auditores em número maior do que auditados) e no peso das respostas (as respostas do auditado costumam ter “peso pena”).

Geralmente, os questionários pedem respostas de um dos auditores internos da equipe, do titular da unidade de auditoria interna e do auditado.

Cheguei a encontrar questionários em que o peso das respostas dos auditores internos chegava a ser cinco vezes superior ao peso das respostas dos auditados.

A justificativa para o “peso pena” do auditado também costuma seguir um padrão: o auditor, há quem diga, tem mais peso por ser especializado em controle interno e ter uma visão holística da organização.

Cheguei a ver questionários que dizem que o auditado não tem embasamento teórico para sequer responder o questionário sem o auxílio de um auditor.

Diante de situações assim, fica a pergunta: precisa mesmo conversar com o auditado?

Suponha os serviços de engenharia.

Tem sentido afirmar que um auditor conhece os controles internos dos serviços de engenharia com mais propriedade do que o gerente de engenharia? Será mesmo que o auditor interno conhece melhor os riscos de engenharia do que o gerente de engenharia?

Para mim, a única resposta certa é que o auditor interno precisa mesmo conversar com o auditado. De verdade.